VEJA VÍDEO DO ACIDENTE

Câmeras mostram que motorista tinha visão livre e não tentou evitar atropelamento, diz delegado

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Câmeras mostram que motorista tinha visão livre e não tentou evitar atropelamento, diz delegado

A Polícia Civil de Mato Grosso apontou que o motorista responsável pelo atropelamento que matou uma idosa de 72 anos, na Avenida da FEB, poderia ter evitado o acidente, mas optou por seguir em alta velocidade, assumindo o risco de causar a morte da vítima. A conclusão é do delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), que indiciou o condutor por homicídio doloso.

O caso ocorreu na manhã de terça-feira (20), quando Ilmes Dalmis Mendes da Conceição atravessava a via e foi atingida por uma caminhonete Fiat Toro em alta velocidade. O motorista, identificado como o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 53 anos, foi preso no mesmo dia.

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De acordo com o delegado, imagens de câmeras de segurança instaladas ao longo da avenida mostram que a vítima estava a poucos centímetros de concluir a travessia quando foi atropelada. As gravações também indicam que o condutor tinha campo de visão desobstruído e todas as faixas da pista livres para realizar manobras que evitassem o choque.

"Ao analisar as imagens das câmeras de monitoramento foi possível verificar que a vítima estava a poucos centimentros de concluir a travessia da avenida. O condutor da caminhonete Fiat Toro tinha amplo campo de visão, todas as faixas de circulação da via estavam liberadas para realização de manobras evasivas, mas ele não reduziu a velocidade do veículo e nem tentou desviar da vítima e após o atropelamento, ele não deu qualquer sinal de que iria parar no local para prestar socorro, seguindo seu destino como se nada tivesse acontecido", afirmou Christian Cabral.

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Segundo a Deletran, a postura do motorista após o acidente foi determinante para o enquadramento criminal. Para a polícia, a conduta revela indiferença em relação às consequências e caracteriza a assunção do risco de causar a morte da vítima, fundamento do indiciamento por homicídio doloso.

Em depoimento, o advogado alegou que a pedestre teria atingido o veículo e negou ter fugido do local, atribuindo sua saída a uma suposta falha mecânica que impediria a manobra do carro. A versão, no entanto, é contestada pela análise técnica e pelas imagens reunidas na investigação.

Passado negro

A Polícia Civil também confirmou que o indiciado possui antecedentes criminais graves, incluindo condenações anteriores, o que foi registrado no inquérito.

O histórico de Paulo Roberto inclui crimes de grande repercussão registrados em diferentes estados do país. Em 2004, ele foi denunciado pelo Ministério Público pelo assassinato da estudante de Enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, ocorrido no município de Juscimeira. A vítima foi morta em um motel localizado entre Juscimeira e Jaciara, e o corpo teve o destino ocultado. Parte dos restos mortais jamais foi localizada.

À época, conforme reportagem do jornal Diário de Cuiabá, Paulo Roberto chegou a tentar tirar a própria vida ao se jogar do terceiro andar da antiga Delegacia de Homicídios, sofrendo ferimentos graves. Mesmo internado, teve a prisão preventiva decretada e permaneceu sob custódia policial.

Antes disso, no fim da década de 1990, no Rio de Janeiro, Paulo Roberto — que atuava como policial civil — foi responsável pela morte do delegado Eduardo da Rocha Coelho. Após o crime, ele deixou o estado e passou a viver em Mato Grosso, onde utilizou por anos uma identidade falsa, com o nome de Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Pelo assassinato do delegado, foi condenado em 2006 a 13 anos de prisão.

No caso envolvendo a estudante, ele foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, além de ocultação de cadáver e falsificação de documento, em razão do uso de nome falso no momento da prisão. A condenação foi fixada em 19 anos de reclusão.

Em 2010, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) instaurou um incidente de idoneidade para apurar a conduta de Paulo Roberto. Apesar do histórico criminal, no Cadastro Nacional de Advogados, a situação dele consta como regular.

O caso segue sob responsabilidade da Deletran e será encaminhado ao Judiciário para as demais providências legais.