O consumidor A.S. relata que ontem, 7 de fevereiro, completou um mês de uma trajetória de consumo que, segundo seu relato, transformou o sonho do carro elétrico em um pesadelo marcado por omissões e descaso. Após quitar integralmente um carro híbrido BYD Song Pro na unidade Saga da Avenida da FEB, em Várzea Grande, o consumidor se vê agora em um cenário de insegurança comercial: sem o veículo e sem respostas concretas sobre sua entrega.
“O que deveria ser a realização de um investimento em mobilidade sustentável tornou-se um transtorno pessoal e financeiro. Para piorar, quando eu fui atrás do meu direito mínimo, que é a informação, soltaram uma nota para imprensa tentando desqualificar o meu depoimento. Mas a verdade é que se passaram 15, 20, 30 dias e o carro não foi entregue”, conta indignado.
O consumidor narra que o processo de aquisição do carro teve início em novembro de 2025 e foi concluído em 30 de dezembro, com entrega de um veículo Chevrolet Tracker como parte do pagamento e a quitação do saldo remanescente por financiamento. Em 30 de dezembro, a vendedora teria informado verbalmente que o carro seria entregue em 15 dias. Contudo, no dia 5 de janeiro de 2026, a vendedora teria informado ao consumidor sobre uma pendência de R$ 378,00 – valor não comunicado anteriormente, e que teria atrasado o processo de faturamento da compra.
(Veja no print a conversa entre a vendedora e o comprador e o envio do comprovante).

O Consumidor conta que fez o pagamento dos R$ 378 reais no mesmo dia e enviou o comprovante à vendedora. No dia 6 de janeiro, o comprador solicita informações sobre prazo de entrega e a vendedora diz que a previsão era "em torno de 15/20 dias; agora é rápido" (VEJA PRINT). Mas, por motivo não explicado, a vendedora formalizou a venda somente em 7 de janeiro, estipulando novo prazo de “15 a 20 dias” e, com isso, o prazo final seria 27 de janeiro de 2026.

FALTA DE TRANSPARÊNCIA E PREJUÍZO
Superado o prazo e sem a entrega do veículo, o consumidor alega que a empresa se negou a fornecer o status de deslocamento do veículo, justificando a ausência de dados por uma suposta demora na comunicação com a fábrica via e-mail.
Além do desgaste pela transação de compra “cheia de equívocos”, o consumidor relata que está arcando com prejuízos profissionais. A.S. destaca que a ausência de um veículo, já que seu antigo carro foi entregue à concessionária há 39 dias, tem gerado prejuízos profissionais e financeiros diretos, uma vez que depende do carro para trabalhar. Uma tentativa de acordo para a cessão de um veículo reserva foi recusada pela Saga BYD. A solicitação foi feita pessoalmente e a negativa enviada por Whatsapp (VEJA NO PRINT).

OUTRO LADO
Em resposta a uma publicação anterior sobre o assunto, a concessionária emitiu nota afirmando estar cumprindo o acordo, embora o prazo inicial já tivesse expirado no momento da manifestação. O consumidor rebate a nota, classificando-a como uma tentativa de desqualificar o seu relato. (LEIA A NOTA DA CONCESSIONÁRIA AQUI)
Diante dos prejuízos financeiros e a tentativas frustrdas se solucionar a situação, o comprador protocolou uma notificação extrajudicial na última sexta-feira (6) solicitando o distrato imediato do contrato, com a devolução imediata do veículo Tracker e o cancelamento do montante financiado. "O que mais me deixa indignado é a falta de informações. Até hoje, nem a gerência sabe dizer se o carro está a caminho ou nem saiu da fábrica", desabafa o cliente.
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
O advogado Reinan Nascimento destaca que o caso configura falha no dever de informação e descumprimento de oferta. “De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), a responsabilidade entre fabricante e concessionária é solidária, e o risco do negócio não pode ser transferido ao consumidor em forma de espera indefinida”.
Sob a ótica do Código de Defesa do Consumidor (Art. 35), o descumprimento do prazo de entrega confere ao comprador o direito de exigir o cumprimento forçado da obrigação, aceitar outro produto equivalente ou rescindir o contrato com direito à restituição de quantias eventualmente pagas, monetariamente atualizadas, além de perdas e danos.