Nesta terça-feira (30), o juiz Leonardo de Araújo Costa Tumaiati, da 1ª Vara Criminal de Rondonópolis, manteve a prisão de João Paulo, advogado e assessor de um vereador do PT. Ele foi detido na quinta fase da Operação Eclipse, suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Comando Vermelho.
Segundo a decisão judicial, a prisão foi considerada legal, sem registros de irregularidades ou relatos de violência no cumprimento do mandado pela Polícia Civil.
A Operação Eclipse, conduzida pela Polícia Civil, investiga uma organização criminosa suspeita de lavar recursos provenientes do tráfico de drogas por meio de empréstimos ilegais com juros abusivos. Segundo as autoridades, o grupo atuava principalmente em Água Boa, mas tinha ramificações em Rondonópolis e Barra do Garças.
As investigações apontam que o advogado utilizava a empresa “Vale Crédito”, supostamente prestadora de empréstimos a comerciantes, para disfarçar práticas de agiotagem e movimentações financeiras ilícitas do tráfico de drogas. A empresa permitia a infiltração de capitais ilegais, cobrança de juros abusivos e movimentação de valores em contas de terceiros, dificultando o rastreamento e dando aparência de legalidade ao dinheiro da facção.
Durante a ação, João Paulo foi alvo de mandado de prisão e de busca e apreensão em sua residência, onde foram apreendidos R$ 14 mil em dinheiro, notebooks, celulares e outros itens que podem auxiliar na investigação. O suspeito se recusou a desbloquear alguns dispositivos durante a operação.
A Polícia Civil segue investigando o esquema para identificar todos os envolvidos e aprofundar as apurações sobre as movimentações financeiras ilegais do grupo.
Na manhã desta terça-feira, o vereador Ary Campos solicitou a exoneração imediata de João Paulo da Câmara Municipal, cargo que ocupava como assessor parlamentar. No documento enviado à presidência da Casa, o parlamentar não fez menção à operação policial nem às acusações que pesam contra o ex-assessor.
Operação Eclipse
A quinta fase da Operação Eclipse resultou na prisão de seis pessoas e na apreensão de anotações financeiras, celulares e outros dispositivos, que serão analisados para identificar todos os envolvidos. A Polícia Civil e o Ministério Público seguem trabalhando para desarticular o esquema e levar os responsáveis à Justiça.