Nesta sexta-feira (3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou público o Edital de Chamamento Internacional n° 17/2025, cujo objetivo é identificar fabricantes e distribuidores estrangeiros aptos a fornecer 'fomepizol' em ampolas de 1,5 ml e concentração de 1.000 mg/ml. O medicamento é reconhecido como antídoto para intoxicações ocasionadas pela ingestão de metanos, subtância que pode causar, cegueira, danos neurológicos e até a morte quando metabolizada pelo corpo.
A necessidade urgente dessa ação decorre de dois fatores críticos: o fomepizol não tem registro sanitário no Brasil e, diante do recente surto de intoxicações por metanol, torna-se imprescindível garantir um estoque disponível para emergências dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o Ministério da Saúde, a medida responde a um ofício que solicitou prioridade para o tema. O ministro Alexandre Padilha afirmou que, com o chamamento, o Brasil mobiliza as 10 maiores agências reguladoras do mundo para que indiquem produtores do antídoto em seus países.
Em paralelo, o governo federal formalizou junto à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a solicitação de 100 tratamentos de fomepizol por doação imediata, além da intenção de adquirir mais 1.000 unidades por meio da linha de crédito do Fundo Estratégico da entidade, a fim de reforçar o estoque nacional.
O ministro ressalta que, embora em anos anteriores não tenham sido registrados mais de 20 casos de intoxicação por metanol no país, houve um aumento recente no Estado de São Paulo. Segundo ele, a operação de compras e doações visa agir com antecipação diante de potenciais surtos.
Contexto: por que o fomepizol importa agora
O fomepizol (ou 4-metilpirazol) atua como um inibidor competitivo da enzima álcool desidrogenase, bloqueando a transformação do metanol em compostos tóxicos como o ácido fórmico, responsável por muitos dos danos graves no organismo.
Em casos de intoxicação confirmada, a administração é feita via intravenosa, muitas vezes em combinação com hemodiálise para acelerar a remoção das substâncias nocivas.
Devido à ausência de registro no Brasil e à urgência em garantir a resposta rápida a emergências toxicológicas, o edital dá às empresas internacionais 30 dias para manifestarem interesse e submeterem informações, preferencialmente em inglês.
Este esforço ocorre num momento delicado: o país enfrenta um surto de intoxicações por metanol associado ao consumo de bebidas adulteradas, com dezenas de casos suspeitos e confirmados em diferentes estados.