Um dos garçons que atenderam o casal de turistas agredido por barraqueiros em Porto de Galinhas, no Grande Recife, afirmou que recebeu um golpe de mata-leão de um dos clientes no momento em que foi cobrar o valor de R$ 80 pelo aluguel de três cadeiras e um guarda-sol (veja vídeo acima).
"Ele [um dos turistas] me agrediu, deu um mata leão em mim. Primeiro, ele deu uma tapa no cardápio, depois eu empurrei', afirmou em vídeo publicado no Instagram.
Em entrevista à TV Globo, Erivaldo dos Santos disse que não foi o responsável pelo atendimento inicial a Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, mas que, ao fazer a cobrança, acabou sendo agredido pelo casal.
"Eu peguei o cardápio, quando fui mostrar o cardápio para ele, ele deu uma tapa no cardápio, pegou em mim, pegou no cardápio. Aí foi quando eu virei, empurrei ele. Quando eu empurrei ele, ele veio para cima de mim, vieram os dois, foi dois contra um. Como um caiu por cima de mim, aí eu não vi nada, que eu caí de costas", contou.
Segundo o garçom, outros barraqueiros foram ajudá-lo ao perceberem que ele estava caído no chão, momento em que as agressões contra os turistas teriam começado.
"Eu estou todo 'relado' nas minhas costas. Quando eu caí, eu apaguei rapidinho, mas, como eu caí, os meninos foram e me socorreram. Vieram para cima e a população linchou ele. Não deu nem tempo de eu tocar nesse cara", disse.
Em vídeo publicado no Instagram na terça-feira (30), o casal de empresários disse que a versão apresentada pelos barraqueiros era "mentira" e negou que eles estavam alterados.
O g1 procurou Johnny Andrade e Cleiton Zanatta para comentar as alegações de Erivaldo dos Santos sobre o mata-leão, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
Turistas consumiram duas águas de coco
Na Barraca da Maura, onde a confusão teve início, há a informação no cardápio de que, caso não haja consumo de petiscos, é cobrado o aluguel de cadeiras e guarda-sol. O valor informado é de R$ 20 por cadeira e mais R$ 20 pelo guarda-sol.
"Atrás, impresso no cardápio, tem um valor explicando. Cada cadeira é R$ 20 e o guarda-sol é R$ 20. O que eles fizeram? Quero duas cadeiras para a gente sentar, quero uma cadeira para eu colocar minhas coisas. Aí, beleza, ficaram no total três cadeiras, R$ 60 reais, e o guarda-sol, R$ 20, [sendo] R$ 80 ao todo", detalhou.
Ainda segundo Dinho, os turistas passaram o dia na praia e consumiram apenas duas águas de coco na barraca.
Ele afirmou também que o casal já teria chegado ao local com duas garrafas de uísque e estaria embriagado no momento da confusão. O garçom negou que tenha havido homofobia contra os turistas, como foi apontado pelas vítimas.
"Eles pediram duas águas de coco, porque eles já trouxeram dois uísques e o resto do consumo dele só foi com os ambulantes, passando aqui em frente do comércio. [...] Não teve nada de homofobia, nem sabia que eles eram um casal, não teve nada disso. O problema foi que eles estavam alterados. Eles estavam bêbados desde cedo, chegaram com duas garrafas de uísque", disse.
O garçom também afirmou que os turistas não permitiam que outros clientes ficassem à frente deles, exigindo o que Dinho chamou de “camarote vip”.
"Eles não permitiam nenhuma barraca na frente dele. Exclusivamente, ele queria um 'camarote vip' só para ele na frente da barca da gente. Impossível porque tem uma bandeira de limite. [...] Chegou com outra turma, ia colocar na frente dele, ele não permitiu, fez a maior baixaria. [...] Os outros clientes que foram embora, automaticamente", contou.
Proprietária de barraca lamenta agressões
Em nota enviada ao g1 na terça-feira (30), Maura dos Santos, proprietária da Barraca da Maura, em Porto de Galinhas, afirmou que está à disposição da Prefeitura de Ipojuca, da polícia e dos demais órgãos públicos para cumprir todas as determinações relacionadas ao caso.
A comerciante destacou que atua há muitos anos no local e que sempre buscou atender os clientes com respeito, afirmando que nunca teve a intenção de causar qualquer tipo de problema ou desentendimento.
“Trabalho há muitos anos aqui, sempre vivendo do meu comércio, recebendo as pessoas da melhor forma que sei e tentando fazer tudo com respeito. Nunca foi minha intenção causar qualquer tipo de problema ou desentendimento. A prefeitura de Ipojuca tem feito um trabalho importante de fiscalização e capacitação e tenho certeza de que isso vai seguir e vai trazer resultados importantes para todos nós, comerciantes e clientes”, diz um trecho da nota.
Maura afirmou também que pretende cumprir as determinações do poder público e seguir com as atividades de forma regular, defendendo que o foco volte a ser o turismo, o trabalho de quem vive da atividade e o desenvolvimento de Porto de Galinhas.
"O que quero é seguir em frente, cumprir as determinações da prefeitura, melhorar cada vez mais e continuar trabalhando de forma correta, honesta e dentro das orientações do poder público", diz.