OPERAÇÃO CONDUCTOR

Advogado de VG e familiares são presos por esquema milionário de tráfico e lavagem

· 3 min de leitura
Advogado de VG e familiares são presos por esquema milionário de tráfico e lavagem

Na manhã desta terça-feira (2) a Polícia Civil de Mato Grosso prendeu o advogado Douglas Antônio Gonçalves de Almeida, de Várzea Grande, suspeito de liderar uma organização criminosa especializada em tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. A Operação Conductor, que cumpriu mandados em Mato Grosso, Maranhão e Pernambuco, também resultou na prisão de familiares do advogado, que compunham o núcleo financeiro do grupo.

Entre os familiares detidos estão a esposa, Francimeire Correia de Mesquita, os irmãos Joycelaine e Joabe Almeida, e a cunhada, cujo nome não foi divulgado. A mãe do advogado também integrava a estrutura financeira da organização.

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Segundo a delegada Bruna Laet, de Cáceres, o grupo recebia semanalmente cerca de 150 quilos de drogas, além de armas e munições, transportados de Cáceres até a região metropolitana de Cuiabá.

“O líder dessa organização é um morador de Várzea Grande, que envolveu toda a sua família. Esposa, irmã, cunhada, irmão, mãe, que era o núcleo financeiro dessa organização, junto de outras pessoas. E as movimentações eram feitas por meio deles, em múltiplas transações financeiras”, disse a delegada.

Os ilícitos eram movimentados por vans que simulavam transporte de passageiros, e a logística incluía armazenamento, distribuição e repasse de recursos financeiros. Para dar aparência de legalidade ao dinheiro, os criminosos utilizavam oito empresas, entre farmácias, distribuidoras de bebidas, drogarias, negócios de energia solar e do ramo alimentício, sendo que apenas uma estava efetivamente em operação.

Durante a ação, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva, 35 de busca e apreensão, 39 de bloqueio de valores e cinco de sequestro de veículos. Entre os bens apreendidos estão cinco carros, incluindo caminhonetes e uma Dodge Ram, R$ 29 mil em espécie e munições de diversos calibres, incluindo 556, de uso restrito das Forças Armadas.

A investigação estima que a organização tenha movimentado R$ 100 milhões entre 2023 e 2025. A delegada Bruna Laet destacou que Douglas controlava toda a logística do grupo, da distribuição da droga ao gerenciamento financeiro, incluindo a lavagem de dinheiro e a divisão dos lucros entre os envolvidos.

“Ele [advogado] controlava toda a logística do transporte da droga, armazenamento, distribuição e também mantinha todo o controle financeiro, tanto no pagamento de divisão de valores entre os outros integrantes, como a parte da lavagem de dinheiro”, disse.

Ainda segundo a delegada Bruna Laet, o grupo movimentava cerca de 150 quilos de drogas por semana, além de armas e munições. Os ilícitos eram transportados em vans com compartimentos secretos, o que permitia ocultar tanto os entorpecentes quanto os armamentos durante o trajeto de Cáceres até a região metropolitana de Cuiabá.

Ao chegar em Várzea Grande, a irmã do advogado assumia a função de receber, conferir e distribuir as drogas e armas, seguindo as orientações do líder da organização. Já a parte financeira da operação era gerida por terceiros sem vínculo familiar, que recebiam os valores da venda dos produtos ilegais e realizavam o repasse e a pulverização do dinheiro. Para dar aparência de legalidade à movimentação financeira, a quadrilha utilizava oito empresas, entre negócios legítimos e de fachada, garantindo que os recursos provenientes do crime parecessem lícitos.

“No caso dessa organização, tratava-se de uma grande quantidade de drogas, porque eram cerca de 150 quilos por semana e ainda armas e muitas munições. O transporte era feito sempre por meio de vans e essas vans possuíam compartimento secreto, onde eram armazenados esses objetos ilícitos. Com a chegada em Várzea Grande, a irmã do líder da organização criminosa era responsável por receber, conferir e posteriormente fazer a distribuição, de acordo com que era determinado pelo líder.”

“Outros terceiros, sem vínculo com a família, eram responsáveis, exclusivamente, pelo recebimento dos valores da venda da droga, armas e munições, e o posterior repasse, pulverização. E também utilizava oito pessoas jurídicas para realizar essa movimentação financeira e dar uma aparência de licitude a esse dinheiro proveniente do crime”, continuou a delegada.

Empresas usadas para lavagem de dinheiro

A investigação também revelou que a organização criminosa utilizava oito empresas como fachada para movimentar o dinheiro obtido com o tráfico e a venda de armas. Entre os negócios estavam farmácias, drogarias, distribuidoras de bebidas, empresas de comercialização e instalação de energia solar e do ramo alimentício.

Segundo a delegada Bruna Laet, apenas a empresa de alimentos funcionava de fato; as demais existiam apenas no papel, servindo exclusivamente para dar aparência de legalidade às transações financeiras ilegais. "São 8 empresas, algumas, de fato, funcionavam e outras eram só empresas de fachada que nunca existiram no objeto em si que deveria atuar. Eram usadas exclusivamente para lavagem de dinheiro. São desde farmácias, drogaria, empresa de comercialização e instalação de energias rolar, empresas de alimentos", concluiu.