NOVA POLÊMICA

Advogado assassinado é suspeito de negociar sentença em briga por fazenda milionária

R. BLATZ, DA REDAÇÃO
· 1 min de leitura
Advogado assassinado é suspeito de negociar sentença em briga por fazenda milionária

O advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 em Cuiabá, voltou ao centro de uma nova polêmica. Apontado pela Polícia Federal como figura-chave da Operação Sisamnes, que investiga manipulação de decisões judiciais, ele é agora suspeito de envolvimento em uma disputa por terras milionárias no Vale do Araguaia.

Zampieri e o advogado Rodrigo Borguetti Zampieri foram contratados pelos herdeiros do espólio de Itagiba Carvalho Diniz para representar ações ligadas à Fazenda Poconé, área rural entre Querência e Ribeirão Cascalheira. O contrato de honorários, assinado em setembro de 2020, previa pagamento de R$ 500 mil e 1.300 hectares de terras — avaliadas em R$ 18,85 milhões.

Uma cláusula adicional previa ainda bônus de 37% da área total recuperada, caso as decisões judiciais garantissem mais de 7,2 mil hectares. Pouco depois de sentenças favoráveis ao espólio, a família Diniz vendeu metade da fazenda, reacendendo suspeitas sobre negociações paralelas e influência em julgamentos.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

As decisões recentes atingem produtores com títulos há mais de 30 anos, que alegam possuir matrículas legítimas e alertam para riscos econômicos. Segundo a defesa, cerca de nove mil hectares de lavouras de soja podem ser perdidos com as reintegrações de posse.

“São propriedades produtivas e legalizadas. O cumprimento das ordens pode causar um colapso econômico na região”, afirmou um advogado que acompanha o caso.

Documentos judiciais determinam que nove produtores de Querência desocupem as áreas em até 15 dias, sob pena de remoção com apoio policial.

Autoridades estaduais e federais acompanham o caso, que se soma às investigações sobre um suposto “mercado de sentenças” envolvendo tribunais e intermediações milionárias.

A disputa reforça o clima de tensão fundiária no Araguaia, região marcada por conflitos de propriedade, usucapiões e sobreposição de registros que podem redefinir o mapa econômico de Mato Grosso.