O município de Cuiabá está arcando integralmente com as despesas de aluguel social e medidas de realocação de cerca de 800 famílias ameaçadas de despejo no Contorno Leste, enquanto recursos prometidos por parlamentares e pelo governo federal ainda não foram liberados. A denúncia foi feita pelo prefeito Abilio Brunini (PL) nesta segunda-feira (15), durante protesto de moradores em frente à sede da Prefeitura.
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Segundo Brunini, apesar de compromissos assumidos por políticos, nenhum recurso financeiro chegou aos cofres municipais. Ele citou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), que teria prometido R$ 18 milhões; o senador Wellington Fagundes (PL), com emendas estimadas entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões; os vereadores Mara Mariano (Podemos) e Marcrean Santos (PP), cada um com R$ 1 milhão; e o deputado estadual Wilson Santos (PSD), com R$ 3 milhões.
“Não tem um centavo do Fávaro aqui na Prefeitura. Não tem emenda parlamentar dele, nem de deputados do PT, nem de outros parlamentares. Quem está sustentando tudo isso é a administração municipal, com recursos próprios, para evitar que famílias sejam jogadas nas ruas pela reintegração de posse”, afirmou o prefeito.
Brunini criticou ainda a mobilização dos moradores, argumentando que o protesto ocorreu em momento inoportuno, e não durante as audiências judiciais que discutiam a reintegração de posse da área.
"A juíza marcou reunião para todo mundo ir lá, com Ministério Público e tudo mais. Avisou advogado, preparou o auditório, preparou um espaço aberto para todo mundo, e apareceram só sete pessoas", lembrou Abilio.
“Mobilizaram ônibus e pessoas para vir aqui, mas não fizeram o mesmo no dia em que era crucial defender os interesses da comunidade. Isso mostra que não quiseram passar toda a verdade para vocês”, ironizou.
A ocupação no Contorno Leste começou em outubro de 2022 e atualmente reúne cerca de 3 mil famílias. Uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou a reintegração de posse, com prazo para desocupação até 27 de outubro. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, que rejeitou pedidos para anular atas e relatórios da Comissão de Conflitos Fundiários de Mato Grosso.
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