O ano de 2025 encerrou com um balanço trágico para as famílias mato-grossenses. Dados consolidados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), revelam que 89 crianças e adolescentes perderam suas mães para o feminicídio no último ano. O número reflete a escalada da violência letal no estado, que registrou 53 mulheres assassinadas por questões de gênero no período.
Veja a abaixo, os principais pontos do levantamento e o cenário da violência no estado.
Comparativo: A escalada dos números
O aumento na criminalidade impacta diretamente o número de "órfãos do feminicídio". Em comparação com 2024, houve um crescimento tanto no número de vítimas fatais quanto no de dependentes desamparados.
| Indicador | 2024 | 2025 | Variação |
| Feminicídios | 47 | 53 | +12,7% |
| Órfãos (Filhos) | 87 | 89 | +2,3% |
Cenário de guerra doméstica
O levantamento do MP aponta que a maioria absoluta desses crimes ocorre dentro da residência das vítimas, muitas vezes na presença dos filhos.
- Perfil do Crime: Aproximadamente 75% dos casos acontecem no ambiente doméstico.
- Motivação: Ciúmes, sentimento de posse e a não aceitação do término do relacionamento continuam sendo as principais causas.
- Cidades Críticas: Municípios como Sinop e a capital Cuiabá figuram entre os locais com maiores taxas de incidência.
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O trauma invisível
Para além das estatísticas, o impacto psicossocial é devastador. Muitas dessas crianças testemunharam o assassinato das mães, desenvolvendo quadros graves de transtorno de estresse pós-traumático.
"A falta de uma rede de apoio consolidada e de dados nacionais precisos torna esses órfãos invisíveis para as políticas públicas. Estima-se que, no Brasil, 2 mil jovens entrem para essa estatística anualmente", destaca o relatório do Observatório.
Em Mato Grosso, a guarda dessas crianças recai majoritariamente sobre avós maternos e tios, que muitas vezes não possuem condições financeiras ou psicológicas para lidar com a nova realidade sem auxílio estatal.
Ranking nacional
Pelo terceiro ano consecutivo (considerando a série histórica de 2023 a 2025), Mato Grosso lidera ou figura no topo do ranking nacional de taxas de feminicídio por 100 mil habitantes, consolidando-se como um dos estados mais perigosos para as mulheres no Brasil.